Em Galópolis, na Serra Gaúcha, a trajetória da indústria têxtil atravessa gerações. Hoje, a Cootegal mantém essa história em atividade, unindo conhecimento, trabalho e cooperação.

Algumas histórias podem ser conhecidas por fotografias, documentos e relatos. Outras continuam acontecendo diante dos nossos olhos. Em Galópolis, bairro de Caxias do Sul, a história da indústria têxtil pertence às duas categorias: está registrada na memória da comunidade e permanece presente no trabalho realizado diariamente pela Cootegal.

A trajetória do lanifício está ligada à chegada de imigrantes italianos que trouxeram consigo experiência na tecelagem e a iniciativa de criar uma atividade industrial na região. Desde o final do século XIX, a produção têxtil contribuiu para a formação de Galópolis, influenciando sua economia, sua organização e a vida de muitas famílias.

Mais de um século depois, a Cootegal representa a continuidade dessa trajetória. Sua história reúne conhecimento técnico, transformação industrial e uma experiência de cooperação que permitiu manter a atividade produtiva em funcionamento.

As origens de uma indústria que ajudou a formar Galópolis

A história começa com um grupo de imigrantes italianos, entre eles trabalhadores vindos de Schio, na região do Vêneto, que chegaram ao Brasil no final do século XIX. Com experiência na indústria têxtil, algumas famílias estabeleceram-se na região onde hoje fica Galópolis e identificaram condições favoráveis para desenvolver a tecelagem.

A disponibilidade de água nos arroios locais oferecia uma possibilidade importante para movimentar equipamentos e apoiar a atividade industrial. A iniciativa deu origem a uma pequena tecelagem de lã, oficialmente inaugurada em 29 de janeiro de 1898, segundo registros históricos divulgados pela própria Cootegal e por fontes locais.

A fábrica cresceu e passou por diferentes fases de gestão e organização. A participação de Hércules Galló, a associação com a família Chaves Barcellos e, posteriormente, a administração do Grupo Alfred, ligada ao Lanifício Sehbe, marcaram momentos distintos dessa trajetória.

Ao longo do tempo, a indústria tornou-se parte da identidade de Galópolis. O trabalho na fábrica movimentou a economia local, gerou oportunidades profissionais e aproximou a vida da comunidade do cotidiano industrial.

A relação entre o bairro e o lanifício ajuda a compreender por que essa história vai além da produção de tecidos. Ela também fala sobre formação profissional, relações de trabalho, desenvolvimento econômico e construção de uma identidade coletiva.

1999: quando a cooperação garantiu a continuidade

A trajetória da indústria teve uma mudança decisiva em 1999. Diante das dificuldades enfrentadas pelo Lanifício Sehbe, trabalhadores se mobilizaram para encontrar uma alternativa que permitisse manter a atividade produtiva.

Em 7 de junho daquele ano, foi constituída a cooperativa que daria origem à Cootegal. As operações começaram no dia seguinte, em 8 de junho. O que estava em jogo era a continuidade de uma atividade industrial que fazia parte da vida de muitas pessoas e da história de Galópolis.

A criação da cooperativa representou uma iniciativa de organização coletiva diante de um momento de incerteza. Em vez de deixar que a trajetória da fábrica se encerrasse, trabalhadores assumiram a responsabilidade de buscar condições para manter o negócio em funcionamento.

Em dezembro de 2001, a cooperativa adquiriu o parque industrial, consolidando uma nova etapa de sua história. A Cootegal passou a reunir a continuidade da atividade têxtil e uma forma de organização baseada na participação de seus cooperados.

Esse capítulo revela uma dimensão importante da marca: preservar uma história também exige decisões, trabalho e capacidade de adaptação. O legado recebido das gerações anteriores ganhou continuidade por meio da iniciativa de pessoas que acreditaram na possibilidade de construir o próximo capítulo juntas.

O saber-fazer têxtil: conhecimento que se constrói na prática

Trabalhar com lã exige conhecimento sobre a matéria-prima, compreensão dos processos e atenção às características de cada produto. Entre a fibra e o tecido existe uma sequência de decisões técnicas que influencia o resultado final.

O comportamento da matéria-prima, as características dos fios, a estrutura do tecido e os acabamentos fazem parte de um universo de conhecimento desenvolvido por meio de estudo, prática e experiência.

Esse saber-fazer está presente nas pessoas que conhecem os processos, identificam particularidades, acompanham etapas e contribuem para a qualidade do trabalho. Parte desse conhecimento está documentada em procedimentos e especificações. Outra parte se desenvolve no cotidiano, na observação, na experiência e na troca entre profissionais.

É nesse encontro entre conhecimento técnico e experiência prática que a tradição permanece relevante. Preservar o saber têxtil significa manter a capacidade de produzir, compartilhar conhecimento e responder às necessidades do mercado.

Na Cootegal, a continuidade da atividade industrial mantém esse conhecimento em uso. A história está nas estruturas e nos equipamentos, mas também nas pessoas que fazem a produção acontecer.

Uma cooperativa feita por pessoas

O cooperativismo ocupa um lugar importante na identidade da Cootegal. A continuidade da fábrica, a partir de 1999, foi resultado da iniciativa de trabalhadores que assumiram responsabilidades e buscaram uma solução coletiva para manter a atividade.

Essa origem ajuda a compreender a relação entre a marca e as pessoas que a constroem. A cooperativa representa uma trajetória em que trabalho, participação e compromisso coletivo se conectam à continuidade do negócio.

Cada área contribui de uma maneira. O conhecimento técnico sustenta os processos produtivos. A experiência da equipe ajuda a preservar práticas importantes. As decisões de gestão orientam os próximos passos. O relacionamento com clientes e parceiros conecta a indústria às demandas do mercado.

A história da Cootegal, portanto, não pertence apenas a uma época ou a um grupo de pessoas. Ela continua sendo construída por quem trabalha na cooperativa, compartilha conhecimento e participa de suas escolhas.

Tradição também é capacidade de evoluir

Uma indústria com uma trajetória longa precisa compreender o valor de sua origem e, ao mesmo tempo, acompanhar as transformações do setor têxtil. A continuidade depende da capacidade de preservar conhecimentos importantes, aprimorar processos e desenvolver soluções adequadas às necessidades de cada momento.

Para a Cootegal, a tradição está ligada à experiência acumulada na produção têxtil, ao trabalho com lã e à história de Galópolis. Essa base oferece referências para seguir evoluindo, mantendo a atividade industrial conectada ao presente.

A mesma perspectiva amplia a maneira de compreender o patrimônio industrial. Máquinas, edifícios e documentos têm valor histórico, mas uma fábrica em funcionamento também preserva práticas, relações profissionais e conhecimentos que continuam sendo utilizados.

É essa combinação que torna a trajetória da Cootegal especialmente relevante: a história pode ser observada no espaço físico, mas também está presente no trabalho que acontece todos os dias.

Uma história que continua sendo tecida

A história da Cootegal está entrelaçada à história de Galópolis, à chegada dos imigrantes italianos, ao desenvolvimento da indústria têxtil e à iniciativa dos trabalhadores que constituíram a cooperativa em 1999.

Cada etapa acrescentou novos elementos a essa trajetória. A origem trouxe o conhecimento da tecelagem. As diferentes fases da indústria transformaram sua estrutura. A criação da cooperativa abriu um novo caminho para a continuidade do trabalho.

Hoje, manter essa história em atividade significa valorizar as pessoas, o conhecimento e a capacidade de produzir. Significa reconhecer o passado como parte da identidade da marca e compreender que o futuro depende das escolhas realizadas no presente.

A Cootegal segue tecendo sua trajetória em Galópolis. Uma história que pode ser contada, compreendida e compartilhada, porque continua acontecendo.

Cootegal. Uma história que continua sendo tecida.